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Trás-os-Montes
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Restaurantes visitados:
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A Repentina Calça Curta
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Hoje vamos descer de Vila Real em direcção ao Douro, usufruindo o prazer da paisagem soberba que nos é proporcionada, terra cantada e contada por tantos, mas infelizmente muito pouco divulgada. Louva-se o interesse recente demonstrado por algumas instituições em levar a efeito programas de divulgação no país e no estrangeiro deste património cultural e paisagístico invulgar. O Douro é sem dúvida uma região única, das mais bonitas que conhecemos, com uma produção vinícola de renome mundial e onde também se come muitíssimo bem.
Um dos grandes escritores que nunca se cansou de cantar o Douro foi Miguel Torga também ele um duriense de gema, e um dos locais que visitava amiúde, em contemplação, era S. Lourenço da Galafura. Não deixe de visitar este local, seguindo a estrada que sai de Vila Real passando pelo aeródromo e faz a ligação à Régua, aparecendo o desvio para a Galafura à esquerda. Quando ali chegar entenderá porque é que o grande escritor e poeta aqui vinha sempre que podia: é uma paisagem deslumbrante, o Douro lá em baixo domado entre os montes envolventes, os vinhedos numa arquitectura ondeada, perfeita, desde o topo até perto da água. As tonalidades variadas, principalmente no Outono, e o silêncio fantástico, opressivo, que tornam este local num sítio quase irreal, de que não conseguimos tirar os olhos. Como disse o escritor, “é um excesso da natureza!”
Um pouco mais à frente, ainda beneficiando desta paisagem, ali em Poiares da Régua, vamos encontrar uma casa de comida fora do vulgar e onde a qualidade do que nos põem na mesa será dificilmente ultrapassável, “A Repentina”. Um simpático casal que trabalhou longos anos na capital, em boa hora resolveu regressar às origens e montar esta casa simples, muito acolhedora, com fornos de lenha sempre acesos, onde se fazem os pitéus cuja clientela dedicada aqui vem degustar, a maior parte das vezes de propósito.
Só servem por encomenda, embora possam atender grupos grandes, que o espaço não falta. A possibilidade de escolha é escassa, mas tudo o que fazem é muito bom, com aquele sabor que só encontramos na aldeia. Um pão da casa óptimo e azeitonas excelentes e um caldo de legumes reconfortante, para começar. Bacalhau assado na brasa com batata a murro, de boa lasca, apaladado e umas batatas excepcionais, tudo ligado com um azeite de primeira qualidade. O bacalhau também pode ser assado no forno, com batatinhas, uma delícia. Arroz de galinha do campo, de cabidela, com o toque de vinagre exacto, a escorrer pelo prato fora, muito bom. Galo do campo assado no forno, em terrinas de barro, tostadinho, com a carne rijinha e saborosa, um primor! Cabrito do monte assado no forno com batatinhas e grelos salteados e um excelente arroz seco de forno. Raramente comemos tão bom. O forno a lenha realça toda a riqueza de aroma e paladar do chibinho, bem assado, tostadinho, de comer até não poder mais. Também se pode encomendar um opulento cozido à portuguesa, na época da matança, sem descrição possível. Um leite creme queimado na altura fecha as hostilidades, de que saímos claramente derrotados. Tudo isto foi regado com um tinto particular, engarrafado, aqui da região, óptimo, e um bagaço muito suave e aromático para a digestão. Depois é continuar por aí abaixo ao encontro do Douro, agora mais domado pela tecnologia das barragens, mas capaz ainda de nos meter respeito pela sua imponência. Passada a Régua para a margem sul, percorremos com calma a distância que nos separa do Pinhão, sorvendo a paisagem demolidora que se nos apresenta diante dos olhos.
No Pinhão, vila algo incaracterística, ponto de passagem da rota do vinho do Porto para camiões, comboios e barcos, Douro abaixo, repare na beleza dos azulejos da estação do caminho de ferro e delicie-se com um passeio na zona ribeirinha, na confluência do rio Pinhão com o Douro, agora numa bonita marginal, construída de novo. O rio é esmagador.
Continuando Douro acima, vamos subir para Alijó, passando prim
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Sugestão apresentada em Novembro 2006
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Comentários enviados:
| | Faz hoje 5 dias que lá estive, no Calça Curta, vou lá TODOS os anos, é de facto maravilhoso, comida do melhor e salada de tomate (provem) é um espectáculo de sabor, a paisagem...? Vão até lá e deliciem-se. | | 10/08/2007 | | António Filhó |
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