Estremadura
Restaurantes visitados:
Ponto Final
Antigo 1º de Maio
Neste mês de Junho em que se festejam os santos populares, é particularmente agradável passear por Lisboa e apreciar a sua beleza, os bairros antigos de ruelas estreitas, com pequenas lojas de comércio tradicional, das pequenas mercearias às antigas leitarias, agora quase sempre transformadas em pão quente, ainda assim a funcionar de forma popular, onde as pessoas se conhecem e trocam um pouco de parlapié, e onde o ambiente de bairro contrasta com a frieza da grande urbe.

Durante as festas populares há bailaricos por todo o lado, e a sardinha assada na brasa, a febra de porco e o frango assado reinam, mais o caldo verde e a broa tradicionais. E as tascas e pequenos locais de petiscos fazem parte da romaria dos apreciadores, por esses bairros típicos lisboetas, da Mouraria à Madragoa, de Alfama ao Bairro Alto.

É a este Bairro Alto que vamos propor uma visita, pois apesar de nos últimos anos se ter transformado em local da moda, pululando por lá locais de comer e beber os mais diversos e incaracterísticos, alguns mesmo francamente maus e que apenas se mantêm por estar na moda , praticando preços exorbitantes por produtos de fraca qualidade, há ainda e felizmente a trabalhar bastante bem, locais onde a comida portuguesa é apresentada com enorme qualidade por profissionais que dignificam a nossa gastronomia.

E um dos melhores locais de bem comer do Bairro Alto e, na nossa modesta opinião, de toda a cidade de Lisboa, é o restaurante 1º de Maio, também ele uma antiga tasca, e onde um beirão de bom gosto, o Sr. Santos, ao longo dos anos foi criando uma sólida imagem de bem servir, num local que, com alguns pequenos melhoramentos, fez questão de manter simples, e onde o mais importante é a qualidade do que se come, aliado ao atendimento impecável que este grande senhor da gastronomia portuguesa sabiamente pratica. A maneira como consegue gerir a distribuição da vasta e heterogénea clientela pelas mesas corridas, conseguindo satisfazer todos, é notável, se atendermos a que a casa está normalmente cheia e com gente á espera.

Pão e azeitonas preparam o estômago para um óptimo presunto e uma morcela da Beira frita às rodelas de paladar excepcional. A sopa de legumes, farta, é sempre um prazer. Os pasteis de bacalhau com arroz de pimentos são do melhor que se pode comer em Lisboa. Depois os linguadinhos com açorda ou feijão frade, o espadarte frito ou os filetes de peixe-galo com açorda, o peixe fresquíssimo e a açorda muito bem ligada, untuosa, aromática, uma delícia! Ainda umas sardinhas de escabeche, um salmão grelhado e umas cabeças de peixe para cozer com todos e chuchar à mão, como deve ser.

Passando às carnes, somos atacados pelas iguarias beirãs em força: coelho frito com amêijoas, entrecosto com feijocas, costeletas de borrego fritas com alho ou panadas, em ambos os casos deliciosas. No tempo delas as favas guizadas com entrecosto e enchidos, muito boas. Lingua estufada com ervilhas. Miolos com ovos mexidos. Ossubuco. Iscas de porco. Feijoada. Morcela frita com legumes e batata e o soberbo pernil de porco à transmontana, com couve e feijão, um espectáculo para os olhos e um consolo para o estômago.

As sobremesas são variadas, mas destacamos a maçã assada que é um portento. Todo este manjar pode ser regado com uma variedade de vinhos imensa, de todas as regiões do país, pois até aqui o Sr. Santos faz questão de ser rigoroso, arranjando tempo para procurar, provar e comprar os vinhos de qualidade que fazem parte da sua garrafeira, para nosso contento. Os preços de tudo isto são mais que justos, fruto da seriedade de quem nos quer ver de volta, sempre que possível. Por nós, voltamos sempre.

Saindo do “1º de Maio” podemos passar pelo Chiado ali bem perto e descer até ao Cais do Sodré, e fazer um bom passeio junto ao rio, outra das zonas bonitas de Lisboa, que vale sempre a pena visitar. Assim como vale a pena apanhar um cacilheiro e atravessar o rio Tejo até à outra margem, apreciand

Sugestão apresentada em Junho 2007
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